DISCURSO DO SECRETÁRIO GERAL DO MPLA, NO ACTO
DE ABERTURA DO III CONGRESSO DA OMA
CAMARADA RUTH NETO
Secretária Geral da OMA!

Camaradas Delegadas!

Senhores Deputados!
Membros do Governo!
Autoridades Religiosas!

Estimados Convidados!

Permitam-me que em nome do Camarada Presidente José Eduardo dos Santos, Presidente do MPLA a quem tenho a honra de representar neste acto, dos dirigentes e militantes do MPLA, e no meu próprio nome, saúde desta tribuna a realização do III Congresso Ordinário da OMA, e que por vosso intermédio saúde igualmente a valente Mulher Angolana.

Desde os primórdios da Luta de Resistência do Povo Angolano à presença colonial, que a mulher angolana teve sempre um papel de destaque nas nossas sociedades. São disso exemplo mais representativo, os feitos heróicos da Rainha Ginga num passado mais longínquo, ou ainda das heroínas Deolinda Rodrigues, Irene Cohen, Engrácia dos Santos, Teresa Afonso e Lucrécia Paim, e tantas outras anónimas, que com o seu exemplo e ao preço das suas próprias vidas, tornaram possível o sonho maior de todos os angolanos-a Independência Nacional.

Essas nossas mães, esposas ou filhas, que constituem a maioria da nossa população, são aquela camada que sempre teve menos oportunidades para se afirmar na sociedade, sempre foi discriminada. A história regista que no passado, a única educação dada a mulher, era a culinária, o corte e costura e pouco mais, os preconceitos da sociedade colonial reduziam a mulher a uma mera servidora doméstica do marido e dos filhos.

Foi essa injusta discriminação, enquadrada num quadro mais amplo da exploração do angolano, que levou a nossa mulher a participar em pé de igualdade com o seu companheiro, na Luta de Libertação do país, luta essa que libertou essencialmente as nossas mentes.

Hoje, num novo contexto nacional e graças a permanente luta pela sua emancipação, a mulher se destaca não só na defesa da Pátria, mas sobretudo nas ciência, nas artes, na política e no desporto.

Alegra-nos constatar que é uma mulher angolana, quem representa o nosso país, na Organização Inter-Africana do Café, que a mulher angolana tem um papel activo na política, com titulares de importantes ministérios no Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, ou ainda no Parlamento com a chefia de importantes comissões de trabalho.

É um orgulho para o País, sermos Campeões Africanos de Andebol, mas sublinhe-se andebol feminino, ou seja são as nossas jovens que nos pavilhões desportivos por esta África, têm levantado bem alto o bom nome e prestígio de Angola.

É encorajador vermos hoje mulheres exercerem profissões, antes verdadeiros tabús, hoje vêmo-las pilotar aviões, lavrar as terras conduzindo o tractor com alfaias, ou ainda envergando garbosamente o uniforme de agente da polícia. Tudo isso deve nos orgulhar.

Camaradas Delegadas!
Estimados Convidados!

Faz precisamente um ano que nesta sala, se reuniu o IV Congresso do MPLA que traçou importantes decisões para a vida do País.coincidentemente, faz também um ano desde a data em que as forças militares de Jonas Savimbi, procuraram a partir do Bailundo e do Andulo, tomar o poder pela força das armas.

O Protocolo de Lusaka, tinha sido flagrantemente violado com o rearmamento da UNITA, as Nações Unidas não tinham sido capazes de cumprir com o papel de desmilitarizar a UNITA. Não sobrava ao Governo outra alternativa, senão desmilitarizar a UNITA pela única via possível, e desta forma realizar a extensão da administração do Estado, tarefas pendentes do Protocolo de Lusaka.

Face a mais uma séria perturbação da Ordem e da Lei, o Governo declarou Jonas Savimbi criminoso de guerra, e desta tribuna anunciamos então a determinação do Governo em não mais negociar a paz com aquele criminoso, posição que viria a ser reassumida pelos chefes de Estado da SADC e da OUA, pelos líderes dos Partidos Políticos no poder nesta sub-região da SADC, e ainda mais recentemente pela Internacional Socialista reunida no seu XXI Congresso em París.

Hoje caíu o mito de duas Angolas, de dois exércitos. Caíu o argumento de que Savimbi controla 70% do território e portanto era preciso negociar com ele. Não é mais o líder da UNITA, não tem território, não tem exército, o quê negociar com ele, nada! Ou antes, talvez a rendição incondicional, se ele tivesse bom senso.

O Governo venceu importantes batalhas, mas nada de triunfalismos, a paz não chegou ainda em definitivo. Para chegar onde chegamos, toda a Nação se mobilizou, os jovens em primeiro lugar, entre eles jovens mulheres, os trabalhadores, a população e a nossa economia. esse esforço deve continuar por mais algum tempo, saboreemos a vitória por completo, não meia vitória, só assim poderemos ver as nossas crianças sorrir e o país florescer.

Desta tribuna, gostaríamos de renovar o chamamento feito pelo Camarada Presidente no 11 de Novembro, no Lubango. A Nação clama pelos seus filhos, não importando onde se encontrem. Todos aqueles que ainda se encontram do lado errado, alimentando os irrealizáveis sonhos de um louco, abandonem-no e juntem-se a grande família angolana para a gigantesca obra da reconstrução do país, para a qual todos juntos somos poucos. Este apelo é para todos, soldado ou general, civíl enganado, enquanto é tempo apresenta-te às autoridades que serás bem acolhido.
 

Camaradas Delegadas!

Angola deposita grandes esperanças no papel que a OMA pode desempenhar na solução de alguns dos problemas de que enferma a nossa sociedade. A vossa condição de mães dotou-vos de qualidades ímpares para lidar com o sofrimento do ser humano.

O país tem milhões de deslocados de guerra na mais infâme condição social, necessitando muitas vezes não tanto de um pouco de pão, mas sobretudo de uma palavra de conforto, de uma mão carinhosa de uma mulher, que com esse simples gesto pode restituir ao deslocado, a esperança de um futuro melhor. Com o reassentar dessas mesmas populações deslocadas nas suas terras de origem, a OMA pode jogar um importante papel na alfabetização, na educação comunitária, na educação sexual e pré-natal, nas campanhas de vacinação das nossas crianças. É deste tipo de trabalho socialmente útil, que as nossas populações estão a espera de uma organização como a vossa.

Camaradas!

Nesta minha intervenção, realcei o importante papel da mulher angolana na nossa sociedade, as suas grandes conquistas. Mas nem tudo são só rosas, muito está ainda para se fazer em termos de emancipação da mulher. Continua a haver desigualdade nas oportunidades de emprego e de ascensão sócio-profissional, vivemos ainda numa sociedade machista. Acreditamos que com a vossa acção, essa situação tenderá a mudar gradualmente, que serão alcançadas no futuro melhores quotas de participação da mulher na vida política e governativa.

Um fenómeno social que tende a alastrar-se, e que pela  sua negatividade tem motivado a condenação e repulsa da sociedade, é a violência no lar que atinge essencialmente a mulher, mas que acaba por atingir também a criança, ou seja os filhos. É um mal que é preciso debelar, não é só à mulher como principal vítima que compete lutar contra ele, somos todos nós, é o Estado e suas instituições, o sistema judicial, o Parlamento, mas são as mulheres que se devem organizar em grupos de pressão, denunciando os casos conhecidos, encorajando as vítimas a quebrar a barreira do silêncio.

O flagelo do sida ameaça cada vez mais as nossas sociedades, com as inerentes consequências negativas no desenvolvimento demográfico e nas nossas economias, porquanto afecta sobretudo a população económicamente   activa. Esse é também um campo onde a OMA pode prestar um prestimoso trabalho à sociedade, com campanhas de esclarecimento junto da nossa juventude, sobretudo a feminina, com vista a prevenção da doença, pela via do sexo seguro.

Finalmente, gostaria de deixar aqui o nosso pleito de reconhecimento a actual direcção da OMA, por todo o importante papel que vêm desempenhando na mobilização da mulher angolana para causas justas, antes a da Independência Nacional, hoje a da Edificação de uma Sociedade mais Justa.

Esse reconhecimento vai em particular para a Camarada Ruth Neto, que como timoneira, ao longo de muitos anos soube conduzir com mestria este barco que se chama OMA, soube projectar o nome da organização para além fronteiras, o que viria a ser reconhecido com a sua eleição para o cargo de presidente da Organização Pan-Africana das mulheres, com  sede em Angola.
Permitam-me desejar-vos muitos êxitos, felicitar antecipadamente a direcção que sair eleita deste Congresso, na certeza de que o testemunho que receberem, será bem levado para o próximo século, com a garantia de que tudo será feito para o aumento cada vez maior da dignidade da mulher angolana.
 

A Luta Continua!
A Vitória É Certa!
(02.12.99)

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