Discurso do Secretário Geral do MPLA, Camarada João Lourenço, no acto central das comemorações do 14 de Abril, Dia da Juventude Angolana .

O secretário geral do MPLA, camarada João Lourenço, reiterou o apelo à juventude angolana a unir-se para o "combate final" para a destruição definitiva da máquina de guerra de Jonas Savimbi, que enganou a todos, ao fingir cumprir o estipulado no Protocolo de Lusaka. "Jonas Savimbi enganou a todos. Devia ter desmilitarizado a sua organização política e não o fez. Antes pelo contrário, rearmou-se, violou todas as resoluções do Conselho de Segurança, com a conivência de alguns respeitáveis políticos de países membros das Nações Unidas" - disse o SG do MPLA, na cerimónia de encerramento do primeiro Festival Multidisciplinar da Juventude "Multifest-99", a 14 de Abril último. Eis, na íntegra, o teor do discurso proferido pelo camarada João Lourenço:

"Camarada José Moreno, primeiro secretário do Comité provincial do Partido
Camarada Dumilde Rangel, governador da província
Camarada Boavida Neto, primeiro secretário nacional da JMPLA

Caros camaradas
Minhas senhoras
Meus senhores

Gostaria de agradecer em meu nome próprio e no da Direcção do MPLA, a oportunidade que me é dada de neste 14 de Abril presidir ao acto central da jornada comemorativa do dia da Juventude Angolana que desta vez se realiza na província de Benguela.
Com inúmeros sacrifícios mas com dedicação e a solidariedade de toda a sociedade, foi possível concentrar-se por um período de cerca de uma semana, 500 jovens num acampamento, onde puderam recrear, partilhar experiências vividas e sobretudo conviver em harmonia. São jovens oriundos de todos os quadrantes do país, do Norte ou do Centro, do Leste ou do Sul, com diferentes níveis de escolaridade e até convicções políticas.
Estes jovens têm um denominador comum; são angolanos e almejam em conjunto aprender, aprender sempre para melhor servirem o país, independentemente de serem deste ou daquele partido político.  Esta é uma experiência exemplar e a ser abraçada por todos os angolanos, porque vem demonstrar com factos que os angolanos sempre estiveram unidos e assim hão de continuar, unidos em torno dos ideais mais nobres da defesa da Pátria, da independência nacional, da unidade da Nação.

Caros camaradas
Minhas senhoras, meus senhores

A juventude angolana sempre teve um papel de destaque no processo de formação da Nação. Foram jovens como Hoji ya Henda, que num dia como hoje verteram o seu sangue nas chanas do Leste, que deram corpo à aspiração maior dos angolanos a Independência Nacional. Foram jovens os que no longínquo 4 de Fevereiro, empunharam catanas como o grito de guerra que deu início a luta armada de libertação nacional; foram jovens os que na Frente Norte, na Frente Leste ou nas cadeias da PIDE enfrentaram a máquina repressiva dos colonos portugueses; foram ainda jovens os que souberam manter a integridade do nosso solo pátrio combatendo e vencendo o temível exército do apartheid; foram também jovens os quadros que após a fuga dos técnicos portugueses em '75 asseguraram a manutenção dos serviços médicos, da educação, da administração pública; foram jovens os que trabalharam na formação do Exército Nacional e da Polícia; mas foram ainda jovens os que muito cedo tiveram de assumir importantes responsabilidades na governação do País; foi jovem quem naquele fatídico ano de 1979 teve de assumir a responsabilidade de Presidente da República.

Caros camaradas
Minhas senhoras, meus senhores

A Nação tem todas as razões para se orgulhar da juventude que tem. Esta juventude soube sempre responder ao chamamento da Pátria em todas frentes, e nos momentos mais difíceis. Na frente militar esteve sempre na vanguarda; na frente desportiva, desde a muitos anos que colocou sempre bem alto o nome de Angola nas grandes competições internacionais, no futebol, no basquetebol, no andebol, no xadrez e outras não menos importantes modalidades. Nas artes, na cultura e na ciência também nos orgulhamos do bom desempenho dos nossos jovens, apesar das dificuldades de toda ordem. Eles estão na docência nas Universidades, estão na investigação científica, na aviação e outros importantes sectores da vida nacional.

Camaradas
Compatriotas

A Pátria está uma vez mais seriamente ameaçada, apesar de todas as concessões do Governo, que cumpriu muito para além das suas obrigações do Protocolo de Lusaka como sinal de boa vontade que poderia ajudar a reconciliação dos angolanos, não alcançamos ainda a paz.
Não só não conseguimos a paz como o País voltou a mergulhar na guerra porque Jonas Savimbi enganou-nos a todos. Devia ter desmilitarizado a sua organização política, a Unita, e não o fez; antes pelo contrário, rearmou-se, violou todas as resoluções do Conselho de Segurança com a conivência de alguns ditos respeitados políticos de países membros das Nações Unidas. Mas, se o facto fosse só esse, tudo bem. O que é grave é haver essa violação das resoluções e não acontecer absolutamente nada nem a Savimbi nem aos países prevaricadores, que estão perfeitamente identificados. Um deles até exibe o título de Presidente em exercício da nossa tão respeitada organização continental a OUA. Aonde chegamos, que Mundo de hipocrisia onde há dois pesos, duas medidas!
A comunidade internacional sabe que o dito genocídio do Kosovo não tem comparação possível com os crimes cometidos por Jonas Savimbi, nem em termos numéricos nem mesmo nos métodos por ele utilizados para se desfazer dos seus inimigos. Quantas vítimas já provocou este monstro desde que iniciou o conflito pós-eleitoral? É um número sem conta, entre mortos, feridos e deslocados de guerra. ele é o único responsável pelas desgraças de milhares de angolanos.
Uma vez que perante tão claras evidências de flagrante violação do Protocolo de paz de Lusaka, mesmo assim se mantém impune, não resta aos angolanos, principais vítimas deste conflito, outra opção senão a de se unir e apoiar o Governo e às Forças Armadas na sua missão de garantia da integridade do solo pátrio e defesa das populações.
Quem, sem motivos, ousou enfrentar de armas na mão os angolanos, procurando contrariar de forma ilegítima a sua vontade livremente expressa por voto nas eleições, vai ter de pagar por isso. Os angolanos são generosos mas sobretudo são heróicos; não serão os canhões, nem os tanques e muito menos os mercenários que lhes vão salvar. Esta guerra é uma aventura e está irremediavelmente perdida pelo Jonas Savimbi. Todas as oportunidades lhe foram dadas; amnistia, estatuto especial e o cargo de vice-Presidente. Porém, a sua doentia ambição conduzi-lo-ão para o abismo, para a única coisa que ele conheceu ao longo de todos esses anos de luta a derrota política, a derrota militar.

Jovens angolanos

É chegado o momento de acabarmos com a causa da nossa desgraça, para que não haja mais viúvas, nem órfãos, nem mutilados, nem deslocados de guerra. Todos juntos, as Forças Armadas, a Polícia e o povo organizado nos seus locais de residência ou de trabalho, devem lutar contra o bandido Jonas Savimbi e seus seguidores. Para isso é necessário que todo o jovem em idade militar se incorpore nas fileiras das Forças Armadas. Sigam a tradição de luta dos nossos antepassados, daqueles que raças à sua luta, devolveram ao angolano a sua dignidade. Sintamos pois orgulho de pertencer e envergar a farda do exército nacional.
Jovem combatente das FAA que te encontras nas trincheiras, na defesa das cidades do Kuito e de Malanje, saiba que aqui na retaguarda tens a solidariedade dos milhões de angolanos, preparados para quando chegar o momento darem seguimento a tua nobre tarefa de defesa da Pátria. Continuai firme na trincheira, na certeza de que este é o combate final contra os carrascos do povo; a luta continua sim, mas noutras frentes, na frente da reconstrução do país, na melhoria das condições de vida das populações, para que não falte a escola e a saúde aos nossos filhos, para que haja emprego para todos, terras para produzir. Dizemo-lo na certeza de que a vitória é certa.


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