MENSAGEM DE ANO NOVO DO CAMARADA PRESIDENTE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS,
DIRIGIDA À NAÇÃO. 
Senhor Presidente da Assembleia Nacional
Senhor Primeiro Ministro
Senhor Presidente do Tribunal Supremo
Ilustres Convidados
Caros Compatriotas 
Minhas Senhoras e Meus Senhores

Agradeço as palavras sempre amáveis do Senhor Presidente da Assembleia Nacional, assim como os votos que me dirigiu em nome de todos os presentes.

Esta data deveria constituir o momento de Paz, Fraternidade e Reconciliação que os Angolanos há muito anseiam, momento em que todos estariam dispostos a transmitir amor com muita confiança num futuro de bem-estar e prosperidade.

No entanto, a incerteza, a desconfiança e a confusão instalaram-se de novo nos espíritos e corações de algumas pessoas por causa dos inimigos da paz. Pretende-se desmoralizar e desorientar o Povo angolano, para domina-lo depois através de uns poucos fantoches sem escrúpulos.

É  este um mal terrível, mas não há mal que sempre dure. Os homens de bem vencerão. E é esta a mensagem da heróica população do Cuito, do Huambo, de Malange e os nossos valorosos combatentes, e é esse o caminho da dignidade, da liberdade e da justiça que nós vamos seguir.

É para eles que se dirige o meu pensamento, para os milhares e milhares de cidadãos do nosso país que fazem a resistência generalizada contra os bombardeamentos, a acção das minas e de outros instrumentos de morte.
Essa opressão e violência extrema revelam a apetência doentia pelo poder do sr.  Jonas Savimbi, que já justamente considerado pelos Chefes de Estados da nossa região e de muitas outras partes do mundo como um simples criminoso de guerra.

No quadro das suas funções de garante da soberania, integridade territorial e segurança dos cidadãos, o Governo angolano, através das suas Forças de Defesa, Segurança e Ordem Interna, tem estado a dar a devida resposta ás agressões e acções de desestabilização em curso, e vai continuar.

Não voltará, porém, a aceitar pretensões do exterior para dar, como se alega, mais uma oportunidade aos mentirosos que já provaram várias vezes que são incapazes de aceitar a diferença dentro de uma vivência pacífica e democrática.

Sem recorrer ao Estado de Sítio ou de Emergência, o Governo vai adoptar medidas especiais para gestão da crise político- militar e da crise económica. 

O que de positivo foi alcançado até aqui será preservado e tem a ver com a consolidação das instituições democráticas, com a organização e reforço das forças de defesa e segurança e com os esforços de normalização de alguns sectores vitais da nossa economia.

De modo diferente deverão ser tratados os fenómenos negativos, tais como a indisciplina, a confusão na cadeia de comando que leva á dispersão do poder de decisão e á lentidão, a corrupção, os atrasos crónicos no pagamento dos vencimentos dos funcionários públicos, a falta de diálogo e concertação com os parceiros sociais e com o empresariado privado nacional, etc.

A questão económica é uma das que mais preocupa os angolanos, pois ela toca directamente na vida de cada um.
O desempenho da nossa economia nos últimos anos não  tem permito resolver satisfatoriamente os problemas das populações. Por essa razão, é necessário analisarmos profundamente o que se passa, para estudarmos uma estratégia económica que permita utilizar políticas mais eficazes e que garantam resultados mais rápidos.

Nesse sentido tenho estado a encetar pessoalmente contactos com alguns sectores da Sociedade Civil, nomeadamente com quadros e intelectuais, a fim de abordarmos em profundidade as linhas de força dessa Nova Estratégia Económica e os mecanismos da sua implementação.
Queremos romper decididamente o ciclo vicioso que se instalou a nível da economia, para que se criem novas e melhores perspectivas para o futuro. A gestão governativa não pode continuar a ser descoordenada, lenta e perdulária.

Não podemos melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, enquanto a economia de Angola estiver em recessão, em crise financeira e cambial e com uma produção interna em colapso. O Produto Interno Bruto (PIB), que vinha crescendo desde 1994 depois da recuperação obtida logo a seguir ao período eleitoral, conheceu um declínio no presente ano e, segundo as estimativas, poderá voltar a decrescer em 1999. 
Os últimos indicadores económicos disponíveis, que têm já em conta o agravar da situação interna e a previsão do baixo preço do petróleo nos mercados internacionais, apontam com efeito para o acelerar perigoso da taxa de inflação nos próximos meses.

Caso não sejam tomadas medidas enérgicas de contenção das despesas públicas, isto poderá conduzir novamente a deterioração do já muito baixo poder de compra das populações comprometendo todo o esforço de desenvolvimento que se pretenda imprimir. A inflação, com efeito, desestabiliza o sistema de preços, inibe a poupança e afasta o investimento.

A melhoria das condições das populações, no entanto, não passa apenas por medidas de combate á inflação. É importante e necessário implementar também medidas conducentes ao aumento da oferta de produtos nacionais, medidas estas que, ao mesmo tempo, criam emprego e alargam o mercado interno.
Perante esta situação complicada, devemos ter um bom programa económico, que seja executado com rigor, na certeza de que vamos obter resultados positivos, mesmo que não sejam imediatos.

Caros Compatriotas

Minhas Senhoras e Meus Senhores 

Mais do que as palavras, serão os  nossos actos a demonstrar a nossa firme vontade de trabalhar para superarmos as nossas dificuldades.

Se quisermos sucesso temos de trabalhar bem. 
Se quisermos criar bem-estar, também temos de trabalhar bem.
Por isso o meu apelo á disciplina e ao trabalho para começarmos a mudar as nossas vidas.
O ano que está a terminar não foi bom! Nesta quadra festiva associo a minha voz á de todos os que se preocupam com o bem-estar das populações, e expresso a toda a Família Angolana os meus mais sinceros votos de um Ano Novo mais próspero

(LUANDA, AOS 30 DE DEZEMBRO DE 1999)


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