PARTE II
PROGRAMA DO MPLA
I. Política de Desenvolvimento
Económico – Factor de Progresso e Bem-Estar Social
A democratização da
vida da nação, no que respeita ao domínio económico
exige o respeito pela iniciativa dos cidadãos dentro de um quadro
legal que garanta a combinação entre os interesses económicos
individuais e os interesses da sociedade.
Assim, o MPLA preconiza garantir
as mesmas igualdades e oportunidades de participação a cada
cidadão nacional, enquanto trabalhador e consumidor nas decisões
e acções que permitam o desenvolvimento económico
e social do país.
O MPLA ciente da necessidade da instauração
efectiva de um sistema económico e social mais democrático
e participativo, presta atenção especial à incentivação
e participação da sociedade civil, através dos diferentes
agentes individuais ou colectivos (Associações Sociais e
Profissionais, Grupos, Organizações, Movimentos, etc.), Empresas
Públicas, Privadas e Cooperativas na reconstrução
económica do país, de forma a criarem-se as condições
necessárias para garantir o progresso e o bem-estar da Sociedade
em Geral.
A política económica
do MPLA tem como objectivo fundamental a satisfação das necessidades
essenciais da população, mediante a implantação
de uma economia social de mercado, baseada nas leis do mercado e
em que a intervenção do estado deve ser supletiva e
complementar às forças de mercado, motivadora das iniciativas
nacionais e mobilizadora da sociedade civil.
O MPLA reafirma que a opção
por uma economia baseada nas leis do mercado não significa
o abandono dos valores pelos quais sempre lutou e dos quais não
abdica, como o humanismo, a solidariedade e justiça social, a luta
contra todas as formas de discriminação e exploração
da pessoa humana.
A economia social de mercado deve,
pois, ser entendida como uma economia mista , em que ao estado está
reservado o papel estratégico de regulamentador dos processos e
garante de que o desenvolvimento económico tenha como objectivo
o homem e o seu bem estar social e que o rendimento
nacional seja distribuído de uma forma socialmente desejável,
que permita a cada cidadão ter uma vida condigna.
A utilização dos mecanismos
de mercado deve ter como objectivo aumentar a eficiência económica
e, por conseguinte, criar empregos e incrementar a produção
nacional, processo em que é fundamental a verdade dos preços
e um clima de sã concorrência que garanta a igualdade
de oportunidades aos cadadãos e às empresas.
O MPLA defende um desenvolvimento
da economia nacional com a mais ampla participação de todos
os cidadãos , no quadro do livre exercício de qualquer actividade
económica, desde que não seja proibida por lei e não
perigue a soberania nacional e a preservação do meio ambiente.
O MPLA considera que a criação
de uma sociedade desenvolvida e próspera exige um esforço
de investimento sustentado no meio rural, com vista ao assentamento e estabilização
das populações e minimização do êxodo
para as cidades, condição para o bem estar da população
camponesa e para o incremento da produção agrícola
e pecuária, essencial à satisfação das necessidades
básicas da sociedade e à criação
de uma base industrial assente na transformação de
matérias primas nacionais renováveis.
Exige igualmente a promoção
de iniciativas que visem a realização e assegurem o funcionamento
de projectos e actividades pouco exigentes em recursos e tecnologias externas
e o reforço da classe empresarial angolana, sustentáculo
de um crescimento económico e social estável .
Exige também a adopção
de políticas que permitam o reforço do sistema financeiro,
com vista à implementação de um sistema de pagamentos
moderno e de um mecanismo de intermediação financeira ágil
entre os agentes que detêm poupança e aqueles que dela necessitam
para investimento. Sem um sistema financeiro moderno dificilmente
poderá haver estabilidade monetária e incentivos à
poupança nacional, requisitos básicos para haver investimento
e , por conseguinte, prosperidade.
A criação de uma sociedade
desenvolvida e próspera exige ainda um programa sustentado de investimento
na educação e ensino, importante base do progresso, com vista
à implementação de um sistema educativo que capacite
a juventude a responder aos desafios do futuro num mundo cada vez
mais interligado e concorrencial.
O MPLA preconiza a desconcentração
e a descentralização política e administrativa,
como passo importante para tornar efectiva a unidade de acção
a nível económico, pelo fortalecimento simultâneo da
administração central e da autonomia da administração
local , de forma a assegurar uma mais correcta interligação
entre os vários níveis de decisão e execução
que garantam a participação activa de todas as capacidades
produtivas existentes no desenvolvimento económico e social harmonioso
do todo nacional, sem que tal signifique a adopção
de um modelo federal ou federalista .
O MPLA continua a defender que as
políticas e os programas, para que tenham êxito, devem necessariamente
afirmar o primado dos recursos humanos no contexto dos problemas
estratégicos do desenvolvimento económico e social do país
e, por tanto, contemplar medidas para a sua constante valorização
e bem estar, em que o emprego, a educação e a saúde
são fundamentais.
Com o objectivo de promover o desenvolvimento
económico visando a reconstrução nacional, tendo em
atenção as características e especificidades das diferentes
regiões do país, e procurando como objectivo último
a elevação do nível de vida e de bem-estar da população,
o MPLA propõe-se, lutar por:
-
Considerar que a intervenção
do Estado no domínio Económico deve ser tendencialmente supletiva
e complementar às forças de mercado, motivadora
de iniciativas nacionais e mobilizadora da sociedade civil, não
perdendo de vista o seu papel de garantir que as reformas económicas
devam ter como objectivo o homem e o seu bem estar social.
-
Considerar ser fundamental que o Estado
desempenhe o seu papel de uma forma clarividente e profissional, imprimindo
à gestão da “coisa pública” critérios de eficiência
e de rigor e estabelecendo políticas e regulamentos que impulsionem
a actividade económica e social, numa estreita ligação
com todos os parceiros sociais, visando a justa distribuição
dos frutos do desenvolvimento económico.
-
Definir como prioritária a tomada
de medidas decisivas e urgentes para o pagamento pontual dos salários
da função pública e criação de condições
para a valorização do salário e a estabilidade das
carreiras.
-
Recuperar a economia do país,
através da obtenção de índices compatíveis
de produtividade e eficiência, adoptando para o efeito um sistema
de Direcção Económica e um sistema Bancário
de moldes a atingir os objectivos da política económica e
monetária.
-
Estabelecer medidas económicas
que visem a estabilização da situação financeira,
o relançamento da produção material e a valorização
da moeda e do salário.
-
Tornar efectiva a unidade de acção
a nível económico, pelo fortalecimento simultâneo da
Administração Central e da autonomia de Administração
Local, de forma a assegurar uma mais correcta interligação
entre vários níveis de decisão e execução
que garanta a participação activa de todas as capacidades
produtivas existentes e de todos os parceiros sociais no desenvolvimento
económico nacional.
-
Reformular a política fiscal
e adoptar medidas tendentes a reduzir o déficit orçamental.
-
Reorganizar o sistema do Comércio
e Serviços na óptica da sua liberalização de
modo a garantir o melhoramento do sistema de aprovisionamento e atendimento
à população.
-
Estabelecer um sistema de preços
com vista a transformá-lo num dos instrumentos fundamentais para
a reorganização e redinamização da economia.
-
Promover e incentivar o investimento
estrangeiro como complemento do esforço nacional de apoio às
forças produtivas do país, criando condições
para que os angolanos residentes no estrangeiro invistam as suas poupanças
no país.
-
Incentivar a produção
interna, para o que deve decisivamente ser estimulado o Sector Empresarial,
independentemente do tipo de propriedade, como principal criador da riqueza
nacional, criando para o efeito mecanismos financeiros e de incentivo adequados
e conferindo-lhe o papel decisivo na materialização dos objectivos
de política económica.
-
O Partido preconiza prestar particular
atenção ao desenvolvimento do sector produtivo e atribuir
uma maior autonomia e responsabilidade aos agentes económicos, com
vista a uma gestão mais descentralizada e eficaz, continuando a
encorajar o desenvolvimento de sector privado e os empresários nacionais
e estrangeiros, incentivando-os a dedicarem-se à produção
de bens de consumo e produtos de exportação.
-
Priorizar a recuperação
do mundo rural através de medidas conducentes ao assentamento e
à estabilização das populações, a minimização
do êxodo rural e a criação de melhores condições
de vida no campo.
-
Prestar especial atenção
à política agrária e ao desenvolvimento rural, cujo
objectivo fundamental deve ser a recuperação da produção,
de modo a criarem-se as bases para a auto-suficiência alimentar,
o fornecimento de matérias primas para a indústria nacional
e a produção de bens para aumento e diversificação
da produção.
-
Criar e implementar um processo de industrialização
auto-sustentado, baseado na iniciativa privada, com particular destaque
para a industria extractiva e indústria transformadora dos produtos
primários da produção nacional.
-
Privilegiar o desenvolvimento e reforço
da classe empresarial angolana, como base de um crescimento económico
e social auto-sustentado e garantia da defesa dos interesses económicos
nacionais, prestando a classe todo efectivo apoio creditício
a curto, médio e longo prazos e a concessão de incentivos
fiscais nos primeiros anos de actividade, sempre que se trate de
actividades que contribuam para o aumento da produção de
bens e serviços e equilíbrio da balança de pagamentos.
-
Definir claramente o regime de propriedade
e garantir a sua protecção legal tendo em vista a criação
de um ambiente favorável aos negócios e que promova o desenvolvimento
económico na base de um são relacionamentos entre
todos os agentes económicos, prestando-se particular atenção
aos órgãos de justiça, que devem garantir o cumprimento
dos contratos económicos, como premissa fundamental para a confiança
e estabilidade negocial.
-
Investir seriamente na modernização
e administração da justiça, quer em magistrados e
em funcionários judiciais, como em infra-estruturas.
-
Adoptar políticas que permitam
o reforço e modernização do sistema financeiro, com
vista à implantação de um sistema de pagamentos moderno
de um mecanismo de intermediação financeira ágil,
entre os agentes que detém poupanças e aqueles que delas
necessitam para o investimento.
-
Adoptar legislação especifica
e adequada visando a liberalização da actividade seguradora
e resseguradora.
-
Realçar a importância estratégica
de cada Província no contexto político, social, cultural
e económico do país, prestando particular atenção
àquelas onde as incidências da guerra mais se fizeram sentir.
-
Promover na estratégia de desenvolvimento
do País, a realização da investigação
aplicada à produção e aos processos sociais específicos,
tendo em conta a nossa realidade e as características próprias
do nosso País.
-
Incentivar e dinamizar a qualificação
permanente do pessoal docente a nível superior, prevendo a ligação
dos programas de formação da Universidade com os planos de
investigação científica sobre temas relacionados com
o nosso País, nos vários domínios, envolvendo a massa
estudantil universitária neste processo.
-
Efectuar a reorganização
das estruturas de Investigação Científica e definir
a metodologia e processos de investigação e valorização
da carreira de investigador e o apoio e estímulo dos novos talentos,
para o alargamento da acção e uma maior projecção
da actividade científica.
Assim, o MPLA considera
importante:
-
Desenvolver um sistema de incentivos
e programas de apoio à iniciativa privada, com principal destaque
para os camponeses que pelo seu regime de propriedade e utilização
da terra não tem meios de acesso ao crédito através
do sistema bancário.
-
Dinamizar e incentivar o desenvolvimento
das profissões liberais, concebendo um quadro amplo e flexível
no seu exercício, com o aproveitamento pleno dos recursos humanos
especializados do país.
-
Promover e incentivar a recuperação
e desenvolvimento das empresas que produzem bens essenciais para a economia
nacional, visando uma melhor integração dos sectores agro-pecuário
e industrial, a satisfação da procura interna e a substituição
de importações.
-
Promover a descentralização
da produção industrial, incentivando-se a criação
e desenvolvimento de pequenas e médias empresas.
-
Promover e intensificar a exploração
de todos os recursos naturais disponíveis no país, como complemento
ao petróleo bruto, com vista à diversificação
das exportações e a estabilização da nossa
balança de pagamentos.
-
Aplicar uma política correcta
de protecção das reservas de recursos naturais, principalmente
os recursos não renováveis.
-
Promover a recuperação
e reactivação da Industria de materiais de construção
como meio de garantia à auto-construção dirigida.
-
Apoiar a recuperação e
o desenvolvimento cooperativo e associativo no campo, que permita uma participação
mais activa dos camponeses na vida política, económica e
social do país, por forma a modernizar-se gradualmente a agricultura
e promover a melhoria das condições de vida dos mesmos.
-
Definir uma política de propriedade
da terra e o seu uso e posse por forma a serem preservados pela lei os
interesses dos camponeses e agricultores angolanos.
-
Melhorar as condições
de vida e de trabalho da população rural, através
da promoção integral das famílias e comunidades rurais
e da sua integração progressiva no sistema económico
nacional, procurando-se eliminar gradualmente as diferenças entre
a cidade e o campo.
-
Priorizar e incentivar a captura e a
transformação do pescado, bem como a produção
de equipamentos e artes de pesca.
Para alcançar os objectivos
acima preconizados, o MPLA incentiva a criação de infra-estruturas,
cujos eixos fundamentais são a urgente recuperação
da rede de abastecimento de água e energia e do parque industrial,
a restauração da rede de estradas e de caminhos de ferro,
bem como do parque rodoviário, aeroportos, portos, pontes e instalações
produtivas e sociais destruídas pela guerra, para assegurar a integração
e desenvolvimento da economia nacional.
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